"As armas foram postas e junto a elas estavam as munições de pensamentos e sentimentos, o conflito interno estava prestes a começar. Várias versões de mim digladiavam por poder, para saber quem realmente era o meu ‘eu’ verdadeiro. Nada poderia fazer naquele momento, a não ser dar a mim mesma tempo. A batalha seria longa, todos os ‘eu’ projetados nas vezes em que eu tentava agradar os que me rodeavam estavam lá. A confusão tomava conta de mim, afinal quem realmente eu sou? E o que estou me tornando? Quem, afinal, eu gostaria de ser? As perguntas me rondam e, por dentro, nada toma uma frente. Não sei, se a flor da pele, eu sou excessivamente insensível ou assumidamente romântica. Não sei se sou extremamente independente ou se quero um abraço como abrigo. Tantas contradições que me preenchem, um dia de um jeito, outro dia já mudei. Chamam de bipolaridade, eu defino como a “batalha do eu”. Sou o caos em pessoa, a insegurança resumida em forma de menina. Não é à toa que sou tão fracassada nos meus romances. Se nem eu me entendo e me suporto, por quê alguém conseguiria? Nem posso julgar, é cansativo estar com alguém que passa mais tempo indecisa do que sendo feliz. Eu vivo tendo questionamentos desnecessários, tentando resolver problemas que nem são tão graves e me sinto mal se não consigo. Eu dou importância demais aos fantasmas da minha cabeça, dou chance para não me deixarem viver bem. Tudo que eu gostaria era ser mais leve, sem dar ouvidos a esses fantasmas que ficam assoprando os motivos dessa guerra. Gostaria de não ter que lutar comigo mesma todas as vezes que alguma escolha fosse posta em jogo. Eu só queria ser livre de mim mesma."