"Peguei uma folha qualquer e um lápis. Pousei a ponta do mesmo na folha e tracei caminhos contínuos, entre espaços e reticências, pontos e vírgulas. Foi a melhor forma que achei de colocar minha paranoia pra fora. A noite veio me entorpecer, e aqui estou. Sentado, confuso, escrevendo sobre o quê? Não sei. A borracha, coitada, já fora tanto usada que pra segurá-la entre o indicador e o polegar se tornou tarefa um tanto quanto difícil. Uso-a como se tivesse o poder de apagar todo esse caos que toma conta de mim. Pensei em pegar a tristeza, a dor, a solidão e quebrá-las em linhas, fazer delas poesia. Porém, a poesia é bonita demais para palavras tão desprovidas de amor. Chega a ser irônico isso, tanto que dou risada sozinho. Até parece que amar não traz tristeza. Vira e mexe as pessoas reclamam desse sentimento. Bom pra uns, terrível para outros. E eu aqui, usando a dor dos outros como inspiração. Não me contento com a minha própria dor. Eu crio outras, pois dor nenhuma é suficiente pra mim. Dor nenhuma é suficiente pra um escritor, até que seja capaz de quebrar o bloqueio literário. Por isso muitos autores recorrem ao amor. Pois esse, meus caros, traz tanta dor que chega a transbordar."
— Palavrisses.