taxidermia
te leio dissecando os ossos
nada dos órgãos passam em vão
o acento do apêndice. a beleza das vísceras.
a profundidade do fígado. a curva do coração
interpreto a relatividade das pequenas veias,
analiso o cérebro, com o pulso aberto
na epiderme dos títulos
suas traqueias liberaram endorfina, dopamina e revolução.
seu nervo óptico - minha black magic humana -
capta com maestria as virgulas e parágrafos do tempo.
o céu da boca,
impulsos nervosos
cálcio, ferro e zinco dos seus pontos finais
minha cicatriz depois do mas
leio procurando os opostos, só encontro os iguais







