"Na primeira noite eu dormi bem, depois de encher a cara e chorar tudo que eu tinha entalado, deitar na minha cama e esquecer que eu estava vivo, foi o que me restou. Na segunda, não consegui fechar os olhos, sóbrio e imóvel, refiz em pensamento os meus passos do dia anterior, mas não consegui encontrar o meu erro. Na terceira noite dormi sem perceber, e acordei procurando na cama alguém que já não estava mais na minha vida. A quarta, a quinta e a sexta noite se repetiram da mesma forma. A sétima, a oitava e a nona também. E depois o restante do mês. Hoje já são dois anos. O tempo passou e aquilo que tirava o meu sono, ocupava a minha mente e era a resposta da pergunta “O que você mais tem medo de perder?” perdeu-se com o passar dos dias. Passou a ocupar um lugar dentro de mim que nem sempre a minha memória é suficiente para trazer novamente. É fato que a falta dela me afetou e não vou esconder que doeu. Mas hoje eu sei que nada volta. Nem eu."
— Letícia Silva.